When there was nothing but silence, the earth was a raw, untouched stage where the sound of the cosmos danced with the rhythm of the world. First, a pulse — primal, raw, vital. The beat echoed in the womb of the forest, in the embrace of roots, in the murmur of waters that had never been contained. It was the sound of origin, a celebration of instinct, of raw matter that never needed shaping.
The air trembled with vibrations, and the ground roared in response. An echo of ancient voices, of endless cycles, reverberated through branches and storms.
And then, the silence gave way. The echoes multiplied, transformed into waves that danced between stars and caverns. What remained was the symphony of a jungle in turmoil — the echo of the first thunder, the rhythm of ancestral hearts, and the force of a world still taking shape.
Comecei a me aventurar na música eletrônica a partir do meu gosto por techno. Minha primeira controladora foi um presente de minha mãe no meu aniversário de 25 anos. depois de aproximadamente um ano remixando, acreditei que estava na hora de tentar passos maiores.
Apesar de gostar de hard techno, a ideia do primeiro álbum seria algo relacionado ao meu início da produção de música eletrônica e não do meu gosto pessoal pelo ritmo forte. É muito comum que as famílias brasileiras descentes de indígenas tendam a se apegar mais ao seu lado europeu e abdicar das tradições ancestrais, por isso, meu contato com a selva foi quase nulo por muito tempo. Para a produção do Primal Pulse, tomei uma grande decisão. Fui na tribo para conversar com os povos originários.

1. primal pulse

Os sons da selva pareciam melodia. Passei a me aceitar mais e ter paixão pelos cantos da floresta. Meu nome na tribo era Tukã, foi dado pelo cacique. Em algum momento que peguei minha controladora para tocar, percebi que os animais da selva respondiam as notas. a partir daí veio a ideia de criar um álbum com a contribuição da natureza, tanto os sons naturais quanto os de animais.
Sapos e pássaros respondem a frequências sonoras porque sua audição está adaptada para detectar sons importantes para sua sobrevivência, como chamados de parceiros, alertas de perigo ou sinais territoriais. A sensibilidade às frequências sonoras varia conforme a espécie e o papel do som no comportamento do animal. 
A maioria dos sapos responde a frequências entre 500 Hz e 5 kHz. Por exemplo, o canto do sapo-cururu está em torno de 1 kHz. Fêmeas costumam ser mais sensíveis às frequências emitidas pelos machos da mesma espécie.
Pássaros utilizam sons para comunicação, defesa territorial e atração de parceiros. A capacidade de reconhecer diferentes frequências é essencial para identificar o canto de sua espécie e interpretar sinais no ambiente. A maioria dos pássaros responde a frequências entre 1 kHz e 8 kHz, que é a faixa de seus cantos típicos. Pássaros menores, como pardais, costumam produzir e responder a frequências mais altas (até 8 kHz). Pássaros maiores, como corvos, têm cantos em frequências mais baixas (em torno de 1-4 kHz).
adicionei este sample a música inicial para dar a introdução do que se trata todo o álbum, com suas nuances orgânicas e naturais.

2. dew flow

Para os povos indígenas, a água tem um significado profundo que transcende sua função prática como recurso vital. Ela é frequentemente vista como um elemento sagrado, espiritual e conectado ao equilíbrio da vida e da natureza. A água é reconhecida como essencial para a sobrevivência de todos os seres vivos, sendo considerada a "veia da Terra" ou o "sangue do planeta". Para os povos indígenas, a água não é apenas um recurso utilitário, mas um elemento com valor espiritual, cultural e comunitário. Proteger a água é proteger a vida e manter o equilíbrio entre o homem e a natureza.
Ailton Krenak, líder indígena e ambientalista brasileiro, enfatiza a profunda conexão espiritual e cultural que os povos indígenas mantêm com os rios, especialmente com o Rio Doce, conhecido por seu povo como Watu. Para os Krenak, o rio é mais que um recurso natural; é uma entidade viva, um "avô" que sustenta a vida e a cultura da comunidade. A preservação dos rios, segundo Krenak, não é apenas uma questão ambiental, mas também cultural e espiritual. Proteger os rios significa salvaguardar a identidade, a história e a sobrevivência dos povos indígenas e, por extensão, de toda a humanidade. Ele nos convida a aprender com a sabedoria dos rios e a reconhecer que a água é um bem comum, essencial para a vida, que deve ser respeitado e protegido por todos.
Quando comecei a trabalhar na faixa Primal Pulse, sabia que queria capturar a essência crua e natural de uma cachoeira. A ideia era integrar sons orgânicos à base eletrônica, criando um equilíbrio entre o poder da natureza e a força do grave.
Para isso, me aventurei até uma cachoeira isolada, longe de interferências urbanas. A escolha do local foi crucial: precisava de um ambiente onde o som da água fosse puro, quase como uma melodia própria. Usei um microfone direcional de alta sensibilidade, ajustado para capturar detalhes sem trazer ruídos externos, e posicionei-o a diferentes distâncias para obter variações de textura sonora.
Durante o processo, fiz questão de gravar em múltiplas sessões, experimentando diferentes ângulos e intensidades. O gravador portátil que usei tinha uma excelente capacidade de captação, mas o segredo foi o pós-processamento. Trabalhei minuciosamente na edição, aplicando técnicas de redução de ruídos e equalização para realçar as frequências médias e altas, onde o som da água tem seu brilho.

3. breezy prelude

a terceira track do álbum teve um conceito de representar a noite da selva, mas foi encontrado uma questão principal ao tentar trazer esta sonoridade para a música. Por sorte, consegui encontrar uma família de corujas perto da minha estadia.
Corujas não respondem de forma harmônica a notas musicais porque sua percepção sonora está mais adaptada a identificar sons relevantes para sua sobrevivência, como o movimento de presas e sinais ambientais, e não para processar harmonia ou melodias da maneira que humanos ou pássaros cantores fazem. 
Corujas possuem audição extremamente sensível e direcional, especialmente para detectar sons de baixa intensidade emitidos por presas, como pequenos roedores. Seu sistema auditivo é projetado para localizar e diferenciar sons com precisão, e não para interpretar padrões harmônicos.
Corujas respondem bem a sons entre 200 Hz e 10 kHz, sendo particularmente sensíveis a sons de baixa intensidade (como passos de uma presa) em frequências abaixo de 4 kHz. Sons musicais, que geralmente possuem padrões repetitivos e harmônicos, podem não ativar o mesmo tipo de resposta que um som inesperado ou irregular, que seria mais relevante para elas.

04. Jungle Thunderstorm

não excluindo meu gosto pessoal por ritmos fortes, quando começou uma tempestade pareceu o momento perfeito para explorar mais este lado. caracterizado por batidas rápidas, intensas e pesadas, podemos traçar uma analogia interessante com a forma como os animais reagem a uma tempestade. O hard techno, com suas batidas agressivas e sons profundos, pode evocar uma sensação de caos ou energia intensa, algo que, de certa forma, pode ser comparado à energia crua e incontrolável de uma tempestade. Tanto os animais quanto os seres humanos podem reagir fisicamente à intensidade de uma tempestade ou à energia de uma música techno pesada. Nos humanos, essa energia pode se manifestar como uma sensação de excitação ou liberação, algo que também é buscado em festas de techno, onde a música cria uma "tempestade sonora" que agita o corpo e a mente.
o mais difícil foi gravar o sample do trovão.
a música de encerramento trás o fim da chuva, frescor e tranquilidade. na prática, acabou sendo bem maior do que a versão final, mas por se tratar de um encerramento, acabei encurtando para apenas 2 minutos. me pareceu o suficiente.

05. Echoes

Alguns registros fotográficos:

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